Eu não sabia, não sabia das partes do meio, das partes sangrentas de mim e das partes sangrentas de você...
"sobre telhados,
entre pipas e casas
os meninos
sem morada
querem
estar mais perto
de um céu.”
— vanessa carvalho (via passaro-selvagem)
"Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas.”
Caio Fernando Abreu   (via velejo)
"Eu não te abandonei. Eu precisei ir, porque o que tá lá fora me chama. Vou, nem que seja pra descobrir que meu lugar é aqui. Saibas que meu sumiço não é por maldade, é por cuidado e o desejo de preservar a única coisa que sobreviveu intacta após tanto desencontro. Eu não quero amar apenas quem é amorável, quero amar quem merece ser amado. Eu não te abandonei. Depois de insistir tanto pra que gostasse de mim, entendi que estou aqui é pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. Por isso eu não te abandonei, é que talvez sozinho eu conseguisse me amar mais. Eu não te abandonei, juro. Acontece que eu não deixo mais ninguém me roubar de mim. Juntos, éramos apenas dois corpos e lençóis amassados, o peito inquieto, o sono de um lado, o sonho do outro. E um abismo imenso onde cabia carinho, desejo, pernas entrelaçadas, palavras mal comportadas, gozo, carícias e, depois o cansaço e um abraço. Eu não te abandonei. Eu cansei. De sofrer com os olhos bem abertos mirando o teto, por mais de 99 invernos, enquanto nossos pés se encontravam. De você se achar maior que o amor e não aprender a conjugar o verbo. De observar a mudez das estrelas sonhando acordado - sozinho. Dessa sua mania de repetição, acreditando que a vida será sempre como todos aqueles dias idos. Da minha saudade de conversar com alguém que não se esqueceu do poder do silêncio. Eu não posso mais ser uma corrente cinza e metálica quando eu mereço ser cor-rente-ao-arco-íris. Eu não te abandonei. Não pela dor que você me fez sentir. O desconforto é outro: parece que não sinto nada. Ninguém pode restituir um amor que já foi embora…seria como tentar levar um punhado de água do mar para outra cidade na concha das mãos. Eu não te abandonei. Eu me perdoei! Por tudo: por ter me apaixonado, por não ter te seduzido o bastante, por não conseguir esquecer e, agora, por te dizer essas coisas todas. Mas eu sei que precisava me livrar disso, sei que precisava. (…) Eu não te abandonei. Você se abandonou. Quando uma pessoa vai embora de nossas vidas, é porque já fomos embora de nós mesmos. Eu não te abandonei. Eu precisava ir, porque eu nunca vi meu olhar tão adoecido, tão lamentoso. Parecendo que o mar inteiro sangrava. Eu não te abandonei. Acontece que hoje eu sou alguém que me tem. Alguém que aprendeu com a chuva a ressuscitar o que estava oco. Alguém que compreende a necessidade de se pingar duas gotas de lua nos olhos pra dilatar a pupila e resgatar minha inocência perdida… Sim, eu tenho estado muito feliz, antes que você pergunte. Mas não, eu não te abandonei. Porque temos jeitos diferentes de estragar as coisas. O que chamas de abandono é a minha vontade de conhecer outro lugar, de acomodar meu corpo onde exista sintonia. O que te dói, entenda, não são essas verdades trazidas à tona por eu ter ido, mas o que faço por mim quando decidi ir. Sair da tua vida para poder voltar para mim: foi minha única saída. Por isso eu não te abandonei, meu amor. Eu só não podia mais ficar.”
Michael Letto  (via taquigrafia)

a-moorcita:

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na pintura de van gogh, o velho homem com a cabeça em suas mãos. diz, na alienação, a pessoa perde contato consigo mesma, com sua identidade e seu valor. ai só lhe resta a sensação de vazio existencial.

"Ter um sorriso no rosto e um pouco de esperança no coração são os meus pedidos. Beira o simples, mas é amedrontador imaginar uma vida sem isso.”
Devaneios de Olly.
(via cultivastes)

s0litarius:

“Estas alegrias violentas, têm fins violentos Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora Que num beijo se consomem.”

William Shakespeare. 

Romeu e Julieta, ato II, cena VI

apagou:

eu chorei como se você fosse toda a parte boa que eu tinha em mim
mas você não era
e agora eu sei

©